Palavras menos buscadas

Fui ver as palavras menos buscadas no Digital Paper, meu blog de design gráfico. Cada coisa bizarra. Eis algumas das bizarrices, devidamente comentadas pelo Chato aqui. Lembrem-se: é um fucking blog de design gráfico.

Vá entender.

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Derrepente Carnaval

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

Era o sábado pré-carnaval. Durante os 7 dias antes ele teve a pior semana de sua vida. Primeiro foi sua esposa de 10 anos de casamento que fugiu com o carro cujas 48 prestações com juros abusivos tinham sido quitados um mês antes. O pior que o carro estava no nome dela pois seu nome já estava sujo em todas as praças. Em seguida, o capataz que ele tinha que chamar de chefe demitiu-o. O trabalho era escravo, mas pagava (mal, mas pagava). Com seu aluguel já atrasado, ele tinha recebido a notificação para pagar todas as 5 prestações ou ele seria desapropriado no domingo de carnaval. Se não bastasse isso, todas os cobradores de A a Z estavam ligando ele todo o dia - de agiotas a operadora Vivo.

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

Mas isto não era o pior. O pior é que desde que foi demitido, não dormira. Seu sono só chegava por volta das 8 da manhã. No entanto, não era por isso que este fato era o pior. O detalhe deste fato era de que, na frente da casa dela tinha um bar onde uma banda carnavalesca estava ensaiando sua música para o bloco daquele ano. Todo dia, das 8 horas da manhã até 3 da tarde a banda começava:

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

Era a frase mais repetida durante a música toda. Assim que terminavam aquela música, começavam a cantar novamente. Todo dia, durante 7 dias, sem parar. Ele não conseguia dormir.

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

Todo dia, o dia todo, por 7 dias, sem parar, sem deixar ele dormir. A mesma música, vez após vez.

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

E é agora que chegamos no sábado pré-carnaval. Oito horas da manhã. Finalmente seus olhos estavam pesando tanto que ele não conseguiria mais segurá-los. Deitado em sua cama há mais de 5 horas, de pijamas, estava pegando no sono. Até que:

Lá lá, lálá, derrepente carnaval

Calmamente, ele levantou da cama. Colocou a mão debaixo do travesseiro para pegar sua Beretta 92FS, feito na Itália, carregado com 10 cartuchos 9mm Luger. Foi andando até a porta, abriu-a e começou a atravessar.

Se alguém tivesse notado o homem de pijamas carregando uma pistola semi-automática atravessando a rua sem olhar para os lados, ou se algum carro estivesse passando justo na hora (teria atropelado o cidadão descuidado e armado), ninguém teria visto os 10 flashes que explodiram dentro daquele bar logo em seguida.

Flash após flash, bang após bang, cartuchos sendo ejetados em sequência, sangue sendo espirrado na parede do bar. O som, silenciando.

Ele não lembraria se houve gritaria na hora. A única coisa que iria lembrar foi que atravessou a rua - sem a pistola em mãos - entrou na sua casa e deitou na cama. Foi o melhor sono que tirou em sete dias.

Derrepente,

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